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SAIBA MAIS →A geotecnia viária em Montes Claros representa um conjunto de investigações, análises e projetos voltados ao comportamento dos solos e materiais que compõem a infraestrutura de vias urbanas e rodovias. Em uma cidade polo do Norte de Minas Gerais, com intenso fluxo de cargas agrícolas e industriais, compreender a fundação do pavimento é decisivo para evitar deformações precoces, trincamentos e custos excessivos de manutenção. Esta categoria abrange desde sondagens de simples reconhecimento até ensaios laboratoriais complexos, fornecendo os parâmetros essenciais para dimensionar camadas de reforço, sub-base e base.
A geologia local é marcada por formações do Grupo Bambuí, com predominância de calcários, siltitos e ardósias. Isso gera solos residuais argilosos e siltosos, frequentemente expansivos ou colapsíveis, que demandam atenção redobrada na escolha de jazidas e na estabilização granulométrica. O relevo suave ondulado da região, combinado com a sazonalidade hídrica do semiárido mineiro, impõe a necessidade de estudos que avaliem a sucção do solo não saturado e a variação do lençol freático, fatores críticos para o desempenho de um projeto de pavimento flexível bem-sucedido.
No Brasil, as diretrizes técnicas são amplamente regidas pelo DNIT e pela ABNT. A norma DNIT 172/2016 (pavimentação – regularização de subleito) e a série NBR 6457 (preparação de amostras) a NBR 7182 (compactação) formam a espinha dorsal metodológica. Para avaliação da capacidade de suporte, o estudo CBR para projeto viário segue a NBR 9895, determinando o Índice de Suporte Califórnia e a expansão, com exigências mínimas de CBR ≥ 2% para subleito, ≥ 20% para sub-base e ≥ 80% para base granular, valores que devem ser verificados na energia de compactação especificada para a via.
Projetos que exigem essa especialidade incluem loteamentos residenciais no vetor sul da cidade, corredores de ônibus, acessos a polos industriais e restauração de pavimentos na área central. Cada intervenção demanda um plano de investigação geotécnica específico, com poços de inspeção, trados e penetrômetros dinâmicos. A correta interpretação desses dados possibilita a escolha entre soluções como reforço do subleito com cal ou cimento, drenos profundos ou simplesmente a substituição de material inadequado, garantindo a vida útil projetada.
São indispensáveis sondagens a trado para coleta de amostras deformadas, determinação da umidade natural, limites de Atterberg (NBR 6459 e NBR 7180), granulometria (NBR 7181), compactação Proctor (NBR 7182) e o ensaio CBR com expansão (NBR 9895). Em solos compressíveis, pode-se complementar com penetrômetro dinâmico leve (DPL) para avaliar a resistência in situ.
Os solos residuais siltosos e argilosos, típicos do Grupo Bambuí, costumam apresentar baixa capacidade de suporte quando saturados e potencial expansivo. Isso exige a definição cuidadosa da energia de compactação, o uso de misturas estabilizadas ou a substituição de material para alcançar os valores mínimos de CBR exigidos, prevenindo trincas e afundamentos.
Para pavimento flexível, o foco está na capacidade de suporte do subleito e das camadas granulares, com ênfase no CBR e na resiliência dos materiais. Já no pavimento rígido, o solo de fundação é avaliado pelo módulo de reação (ensaio de placa), pois a placa de concreto distribui tensões de forma distinta, sendo menos sensível a deformações localizadas.
O ideal é que a campanha de campo ocorra na fase de projeto básico, com pelo menos três meses de antecedência do início das obras. Isso permite realizar ensaios com tempos de cura para amostras estabilizadas, repetir testes em época de chuva e seca para avaliar a influência sazonal e compatibilizar o projeto de drenagem com o perfil do solo.
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